Almir Nahas https://almirnahas.com.br/ Fri, 19 Mar 2021 19:20:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://almirnahas.com.br/wp-content/uploads/2025/09/cropped-Favicon-32x32.png Almir Nahas https://almirnahas.com.br/ 32 32 Frases (mal) feitas https://almirnahas.com.br/frases-mal-feitas/ Fri, 19 Mar 2021 19:20:13 +0000 https://olharsistemico.com.br/?p=13715 Por Almir Nahas(*) Muita gente diz coisas sobre si mesmo sem refletir. Vira e mexe a gente ouve alguém dizer: “Estou correndo atrás do prejuízo.” Pensando bem, tem muita coisa melhor para se correr atrás e alcançar, né mesmo? A lista de frases inadequadas é imensa: “quem nasceu pra ser jumento não pode ser alazão”, […]

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Por Almir Nahas(*)

Muita gente diz coisas sobre si mesmo sem refletir. Vira e mexe a gente ouve alguém dizer:

“Estou correndo atrás do prejuízo.” Pensando bem, tem muita coisa melhor para se correr atrás e alcançar, né mesmo? A lista de frases inadequadas é imensa: “quem nasceu pra ser jumento não pode ser alazão”, ou “o pão sempre cai com a manteiga para baixo”, “eu tenho o dedo podre”. E daí acontecem coisas e a mesma pessoa diz: “Eu mereço!”, querendo na verdade dizer: “Eu não mereço!” Na verdade, bobagem, porque se aconteceu comigo, é poorque mereci. Mesmo que as razões do tal merecimento sejam um mistério para o azarado ou para o sortudo. Para falar dos outros, a pessoa diz: “Esse nasceu com o bumbum virado pra lua!”, com aquele sentimento disfarçado, que no fundo é inveja da sorte alheia. É, ou não é?

A importância desse tipo de fala sobre si mesmo ou em relação a qualquer outra pessoa é que a Palavra revela e ao mesmo tempo direciona o pensamento. E todo o movimento, toda a ação, começa pelo pensamento. Como disse o genial Lupicínio Rodrigues numa  antiga canção, “o pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar?” Pois é. Aprendi a tomar cuidado com o que penso e com o que digo. Pensar, falar, escrever, são movimentos vibracionais que provocam vibrações, primeiro em mim mesmo, depois naqueles que são tocados pela vibração que eu emito. Somos seres vibrantes em constante comuicação vibracional.

Hoje quero pegar no pé de quem costuma dizer, diante de uma perspectiva maravilhosa, a famosa e infeliz frase: “É muita areia para o meu caminhãozinho.” Quem diz isso sobre si mesmo diante de uma oportunidade já desistiu sem nem tentar. Que pena!

Na adolescência, conheci um camarada que preferia sempre dizer: “quem não arrisca, não petisca.” Não é a melhor coisa a se dizer, mas pelo menos já deixa aberta a possibilidade de dar certo! Nos bailes da vida, ele sempre tirava pra dançar as meninas mais bonitas, às vezes mais velhas e mais altas que ele. Nem sempre dava certo, é verdade, mas muitas vezes ele teve sucesso. Dançava com a mais bonita. Certamente, se casou com uma bela moça.

Então vamos lá: a ideia de se achar pequeno diante de uma boa oportunidade e de nem mesmo tentar, nem mesmo sonhar com a possibilidade, é uma postura diante da vida que revela uma autoimagem depreciativa. Como assim, “caminhãozinho”? Como assim, “muita areia”?

Se Luiz Gonzaga pensasse assim, não teria se tornado o Rei do Baião. Se Cora Coralina pensasse assim, não teria escrito nem a primeira poesia.

Pra começar, vamos banir o diminutivo ao falar de si mesmo, ou mesmo pensar em si. Caminhãozinho uma ova!

Segundo: esteja pronto para usar todos os seus recursos diante dos objetivos, das metas e desafios, ou mesmo daquelas oportunidades inesperadas que fazem brilhar os olhos, mas que por nem tentar, você mesmo elimina todas as suas chances.

Você já deve ter visto uma criança engatinhando que começa a querer subir escadas. Imagine se ela pensasse: é muita escada para minhas perninhas! Ela jamais conseguiria. Mas o que a criança faz? Tenta, repete, insiste, procura um jeito. Tem aqueles pais que ficam por perto assistindo o esforço da criança, para que ela não se machuque na queda. E tem aqueles que nem deixam a criança tentar, certo? “Vai cair, menina!”

Tá bem, pode ser que a ideia maluca de que você é um caminhãozinho venha desse tempo, quando seus pais faziam o que fizeram, diziam o que disseram, e isso pode ter tido alguma influência sobre você. Mas, vamos pensar juntos. Quantos anos você tem hoje? Será que ainda está culpando seus pais pela sua falta de coragem? Vamos acordar para a vida! Da próxima vez que você se deparar com uma carga preciosa, entusiasmante, como aquelas “ideias mirabolantes” do tipo: estudar fora do país, inscrever-se num concurso para passar e não para ficar enrolando… Pare e pense um pouco: o que será que preciso fazer, como preciso fazer, para dar conta dessa preciosa carga? Faça o máximo com o equipamento que você ganhou com a vida. A felicidade só chega para quem vai na direção dela.

Vai ver, como na história do patinho feio que era um cisne, você não é um caminhãozinho, é um avião que não sabe ainda o que é…

(*) Almir Nahas é jornalista, palestrante e professor de constelações familiares e organizacionais.

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O espírito humano e a caixa d’água https://almirnahas.com.br/espirito-humano-caixa-dagua/ Wed, 27 Jan 2021 11:22:25 +0000 https://olharsistemico.com.br/?p=13549 Por Almir Nahas(*) Um dos meus mais antigos amigos chama-se Itamar Ferreira Diegues. Durante um período especial de minha juventude, éramos inseparáveis. Hoje eu não sei quase nada dele, mas sua presença em minhas memórias é sempre feliz. Um dia decidimos fazer um curso de apicultura, sabe-se lá porque, e então conhecemos o inesquecível Professor […]

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Por Almir Nahas(*)

Um dos meus mais antigos amigos chama-se Itamar Ferreira Diegues. Durante um período especial de minha juventude, éramos inseparáveis. Hoje eu não sei quase nada dele, mas sua presença em minhas memórias é sempre feliz.

Um dia decidimos fazer um curso de apicultura, sabe-se lá porque, e então conhecemos o inesquecível Professor Schirmer. Numa das aulas ele se saiu com uma ideia aparentemente maluca, mas da qual não me esqueci mais, e que me serve até hoje. As imagens mais marcantes geralmente são simples e transmitem uma ideia essencial. Lembro até hoje a expressão do Itamar quando ouviu aquilo. Imagino a minha cara de espanto.

Passados mais de 40 anos, não apenas o espanto passou, como eu passei a usar essa imagem para explicar alguns dos princípios da visão sistêmica sobre a vida e como ela funciona, e o que favorece o êxito, o progresso e a felicidade.

Explicando a lição: O que é a caixa d’água? Um reservatório que serve para armazenar água, ou seja, Vida.

Esse reservatório, explicou o nosso mestre alemão, tem um buraco de entrada e um buraco de saída. Se os dois buracos estiverem fechados, a água parada só servirá para criar mosquito, nada entra, nada sai, nada de produtivo será gerado. Uma vida sem interação, sem troca, sem dar ou receber. Uma vida sem vida, povoada de mosquitos… que tristeza!

Se o buraco de saída estiver fechado e o de entrada bem aberto, a caixa d’água vai transbordar, e a água vai sair pelo “ladrão”. Mentalidade acumuladora, avarenta, medo de compartilhar. Atitude que reflete a ideia de que qualquer relação tem que gerar alguma vantagem, um perde e ganha. Receber e não retribuir ou não compartilhar é desperdiçar água, desperdiçar vida.

Se o buraco de entrada estiver fechado e o de saída estiver aberto, a caixa logo ficará vazia. Esta situação reflete a atitude dos orgulhosos, aqueles que acham que estão acima dos outros e que não devem nada a ninguém. São os paternalistas, aqueles que fazem “tudo” pelos outros para depois, consciente ou inconscientemente, não dever nada a ninguém nem precisar reconhecer aqueles que lhe deram e lhe dão, aqueles que fazem a vida ser mais luminosa e radiante. São os solitários que se verão como vítimas da ingratidão alheia. Receber é uma das melhores experiências que a vida pode nos proporcionar, e não se pode negar que, muito antes de dar, desde o nascimento, recebemos muito e é por isso que a vida pode se manter e se desenvolver.

Viver portanto, viver no fluxo, viver plenamente, é ser como uma simples caixa d’água que aceita receber toda a água que puder jorrar, todas as alegrias, grandes ou pequenas, toda a generosidade de seus pais, avós, irmãos, amigos, e assim está sempre grato por tanto que recebe. E afinal, para que tantas bençãos e tantos presentes? Para dar! A caixa d’água cumpre seu destino quando ela dá aquilo que recebe, generosamente, sem medo de escassez. Afinal, como sempre se soube, é dando que se recebe.

Dar e receber é, em essência, relacionar-se. É natural, é simples e essencial, é tão banal quanto viver. Um dia quero ser uma simples caixa d’água, recebendo e repassando tudo. Sem muito esforço, de preferência. Apenas a ação de ser.


(*) Jornalista, facilitador e instrutor de Constelações Familiares e Organizacionais

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O ser sistêmico e o poder pessoal https://almirnahas.com.br/ser-sistemico-poder-pessoal/ Wed, 05 Aug 2020 13:54:55 +0000 https://olharsistemico.com.br/?p=12358 Por Almir Nahas(*) Um grande ganho do conhecimento sobre leis sistêmicas descobertas por Bert Hellinger e sobre como elas contribuem para a paz e o equilíbrio é a clareza do lugar de cada um de nós no ciclo da vida. A Constelação Familiar facilita ao ser humano um passo essencial: tomar posse de sua própria […]

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Por Almir Nahas(*)

Um grande ganho do conhecimento sobre leis sistêmicas descobertas por Bert Hellinger e sobre como elas contribuem para a paz e o equilíbrio é a clareza do lugar de cada um de nós no ciclo da vida.

A Constelação Familiar facilita ao ser humano um passo essencial: tomar posse de sua própria vida e ocupar plenamente esse lugar. Embora pareça algo óbvio, o movimento de tomar a própria vida não se dá automaticamente quando nascemos.

Todo aquele que vai pela vida levando consigo restrições e julgamentos em relação à sua própria história ainda não deu esse passo. Os queixosos da própria sorte estão passando pela vida, mas ainda longe da plenitude.

Todo aquele que olha para o que lhe faltou ainda espera que, de alguma forma, alguma outra pessoa (a esposa, o patrão) se responsabilize por sua felicidade, assim como seus pais são os responsáveis por sua infelicidade. Todo aquele que abraça sua história com realismo não tem o que perdoar, exigir, lamentar. Pega sua mochila e vai fazer sua trilha.

Aquele que se reconhece como ser sistêmico vê a si mesmo como parte de uma longa história, fácil ou difícil, uma história que foi como foi e é como é. Ao dizer SIM a tudo como foi, a pessoa abandona seu estado emocional infantil e, como adulto, abre-se para expressar, ao longo da jornada, o seu poder pessoal. O começo é o reconhecimento do que foi herdado de sua história ancestral e que é ampliado pela experiência individual, que inicia com o nascimento no seu núcleo familiar: pai, mãe, irmãos.

Quem tem a capacidade de colocar generosamente seu poder pessoal naquilo que faz, serve à vida com humildade. Não teme desafios, apenas trabalha para vencer.

Aquele que acessa seu poder pessoal respeita tudo o que se passou, incluindo dores e privações, sem se apegar a desejos de reparação. Diz SIM aos seus limões e decide o que fazer com eles.

O adulto que tomou posse de sua vida não depende de elogios, motivações externas, tapinhas nas costas, curtidas e seguidores.

Quem acessa seu poder pessoal o faz sem esforço. Simplesmente é. Quem vive buscando o que faltou se esforça arduamente para agradar, cobra reconhecimento e vive como quem atravessa um deserto, cobrando uma dívida que ele acha que a vida tem com ele.

O poder pessoal não se confunde com a capacidade de influenciar, a importância ou a auto importância. As expressões perceptíveis para quem acessa seu poder pessoal são os sentimentos desprovidos de interesse: a paz interior, a humildade, o desapego de críticas ou elogios, o genuíno interesse e respeito pela verdade do outro, a generosidade, a compaixão…

Ocupando seu lugar na vida e somente o seu lugar, a pessoa expõe seus talentos com franqueza, com simplicidade. Abre-se para que a vida lhe dê muito, sem medo da abundância. Quem vive assim é bem diferente do tipo de pessoa que se acha o máximo.

Vibrar seu poder pessoal não é “se achar”. Quem “se acha” veste uma roupa poderosa, assume um discurso poderoso, mas não vibra toda a plenitude de sua essência.

O exigente fica indignado, se revolta, faz postagens iradas e promove abaixo-assinados. Produz fogo de palha, faz barulho e agita.

Quem está centrado em sua essência e a partir dela permite que seu poder natural se manifeste, com coragem e humildade, não faz nada para exibir, para agradar ou para ganhar likes. Faz porque naturalmente pode fazer, faz com toda a sua força, seu amor e sua fé. E assim vê sua ação ressoar genuinamente em outros seres e torna-se semente de um vasto plantio, pouco a pouco, sem mesmo estar preocupado com isso. Apenas não bloqueia que isso naturalmente aconteça.

Conhece-te a ti mesmo, diz o ditado milenar. Conhecer e tomar posse de si mesmo não é tarefa fácil, que se cumpre com um workshop ou algumas leituras e cursos. É uma jornada. Mas só de se colocar disposto a fazer a jornada, a pessoa já começa a ver as mudanças, primeiro em si mesmo. E logo, ao seu redor.

Ao se harmonizar com sua origem e sua história, começa a ver a si como o único responsável por sua felicidade. E reconhece quanto essa felicidade inclui a presença de outras pessoas, pois reconhece a humana necessidade de sentir-se parte de um grupo, uma família, uma coletividade.

Não espera que nenhuma outra pessoa faça por ela aquilo que só ela mesma pode fazer. O ser sistêmico estabelece vínculos saudáveis, trocas enriquecedoras e promove União. Não teme a solidão, pois reconhece o óbvio: ninguém é uma ilha, assim como ninguém é tão importante assim, da mesma forma que ninguém é dispensável. Eu tenho meu lugar e cada um tem seu lugar.

(*) Jornalista, facilitador e instrutor de Constelações Familiares e Organizacionais

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Vibrações da nova hora https://almirnahas.com.br/vibracoes-nova-hora-2/ Wed, 13 May 2020 02:34:22 +0000 https://olharsistemico.com.br/?p=11999 Por Almir Nahas(*) A crise internacional de saúde pública caiu como um tijolo sobre boa parte do mundo, e está causando mudanças profundas no nosso modo de vida. O quanto essas mudanças têm caráter provisório ou permanente, quanto tempo ainda teremos que conviver voluntária ou forçosamente com restrições de mobilidade e contato presencial, de fato, […]

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Por Almir Nahas(*)

A crise internacional de saúde pública caiu como um tijolo sobre boa parte do mundo, e está causando mudanças profundas no nosso modo de vida. O quanto essas mudanças têm caráter provisório ou permanente, quanto tempo ainda teremos que conviver voluntária ou forçosamente com restrições de mobilidade e contato presencial, de fato, não sabemos. 

Pode-se fazer previsões, desenhar cenários, imaginar alternativas, mas saber mesmo, quem sabe? Só com o tempo poderemos avaliar quais as mudanças mais profundas que este momento irá ttrazer. Mais particularmente, o que será do Brasil e dos brasileiros? Ainda não sabemos como a vida vai continuar, as mudanças estão em curso. Isto vai passar, mas não vejo ser possível saber como e quando. Mas vai passar.

Porém, depois do primeiro ciclo lunar dentro do inusitado cenário, superado o choque inicial e suas multivariadas reações, já podemos obter as primeiras leituras do que está acontecendo, pelo menos até onde me é possível observar de minhas janelas voltadas para dentro e para fora de mim.

A mais óbvia constatação é o efeito potencializador do vírus: o que estava acontecendo lentamente se acelerou, o que estava latente ficou explícito. O tempo está passando mais ligeiro para pessoas mais frágeis, seja pela idade, pelo estado de saúde ou condição social. O medo cresceu em muitos corações e a fé na vida e no Senhor da Vida também está mais mobilizada do que antes, para aqueles que tem alguma fé.

Outra evidência gritante é a “realidade sistêmica”. Cada ser é uma célula dentro de um amplo contexto. O que afeta a um afeta a todos. Estamos pagando com vidas um movimento de conscientização que já se mostrava muito necessário: a humanidade é uma só, estamos no mesmo barco, ou na mesma nave, e não somos os únicos habitantes desta maltratada nave mãe.

Poucas semanas após a paradeira, a natureza ganhou um impulso magnifico em seu eterno processo de regeneração, deixando claro que, se o bicho homem aprender a andar com a pisada mais leve, o equilíbrio ainda pode ser possível. Mas fica a dúvida: quantas mortes ainda serão necessárias para que se faça a mudança sistêmica de mentalidade? Qual o preço que ainda pagaremos para entender que a preservação ambiental não é uma escolha, é questão de sobrevivência?

Os deprimidos estão trancados em casa, muitos até sem vontade de pedir ajuda. Há muita solidão nas multidões, e muitos espíritos solidários disponíveis. 

A depressão na economia ainda não se pode calcular. Certamente tem alguém contando quantos empregos já morreram com a pandemia. Milhares de empresas que estavam mal das pernas já morreram, muitos empregos estão sumindo. Empresas que pareciam firmes estão com as pernas bambas, procurando a UTI e se deparando com a falta de respiradores.

Tem uma velha economia, baseada no lucro pelo lucro, nas metas estratosféricas perseguidas alucinadamente, na ganho de alguns obtido através da perda de outros. Uma mentalidade que já estava perdendo forças, demonstrava falta de ar, e que está aos poucos definhando, mas vai levar com ela muitos empregos formais, e ao mesmo tempo empurrar muitos para um cenário que não estava nos planos de milhões: o empreendedorismo forçado.

Empreender, porém, é próprio da natureza. A relação de trabalho baseada no emprego ganhou espaço com a revolução industrial. É recente. Ao longo da nossa história ancestral, porém, viver sempre foi empreender. 

Um dos efeitos pandêmicos desta nova hora é que muitos acomodados estão sendo empurrados para uma nova atitude, por falta de opções. É empreender ou morrer.

Claro, quem tem uma confortável poupança está um pouco menos aflito do que aquele que não tem, mas em compensação está menos acostumado com a escassez. O pobre arranca a vida com a mão desde sempre, é mais adaptável.

Pais estão estressados pela overdose de convivência doméstica. Estão inevitavelmente encarando o “distanciamento social íntimo”, uma epidemia silenciosa que está corroendo o tecido social faz tempo, e que agora está incomodando mais. 

Famílias estão sendo forçados a cuidar das comorbidades emocionais pessoais e familiares, das quais estavam tentando se esconder com a vida corrida do coelho da Alice, pressionados pelo relógio. A família já estava doente? De que? Os filhos já gritavam pedindo e os pais não queriam ouvir? O que clamavam?

Do outro lado da moeda, as pessoas estão mais solidárias. Os generosos estão cheios de oportunidades para servir ao próximo com o melhor de si, e estão até ganhando algum espaço no noticiário, embora ainda seja um espaço marginal, para terminar o telejornal com um sorriso, depois de um desfile majoritariamente opressivo e insano de versões que insistem em chamar de “fatos”. Tem muita gente boa fazendo o que sempre fez: o bem.

Outro aspecto positivo: as histórias pessoais dos que morreram e dos heróis da frente de batalha estão ganhando evidência. Cada vida conta. Sempre contou, não é novidade, mas muitos estão mais atentos a isso do que antes. 

Quantos motoqueiros morrem todos os anos no alucinado trânsito de nossas cidades? Quantas crianças e adultos morrem na pulverizada guerra do narcotráfico? Quantas pessoas morrem a cada ano por não encontrar um leito de hospital e um atendimento digno, no falido sistema de saúde do país? Qual a novidade? A escalada das estatísticas, só.

Cada vida conta sim, mas havia uma dose de letargia e insensibilidade para outras pandemias. Parece que mais gente está sendo sensibilizada pela pandemia da vez, e isso pode significar um ganho colateral: a humanidade pode estar se humanizando mais.

A perspectiva da morte evidencia o valor da vida. A falta de abraços evidencia o valor do abraço. A perspectiva da fome evidencia o valor de uma refeição. Estamos em uma marcha acelerada em direção ao futuro, e as mudanças sendo germinadas em cada indivíduo. 

Repensar, recriar, refazer, rever, renovar, palavras de ganham força para além das palestras motivacionais ou dos livros de auto-ajuda. O fato é que a raça humana está sendo posta a prova, e está sendo chamada a rever seus propósitos e buscar respostas que antes estavam sendo ignoradas, mas que hoje estão empurrando os insensíveis a acordar, nem que seja no susto.

Os mais serenos que eu avisto das minhas janelas são os mais centrados naquilo que é essencial: no amor, na fraternidade humana, na generosidade, na cooperação, na ética, na gratidão pela benção diária que é a vida. 

O despojamento do que é supérfluo está ganhando força. A importância dos valores morais também. Parece mais forte o apelo para “descoizar” a vida e assim poder preservar o mais importante. Estamos pagando um preço ainda não estipulado por esta fase de profundos aprendizados. Aprender a ser gente é um trabalho constante. 

Há um novo amanhã despontando, mas enquanto a noite da incerteza persistir, tem muita gente procurando os culpados e muitos também esperando ver a luz no fim do túnel. 

E há aqueles que não esperam que alguém lhes traga o velho normal de volta, preferem seguir em frente ao encontro do novo dia, preferem acender uma vela e manter a sintonia com o que está acontecendo aqui e agora, que é o único lugar e o único tempo realmente nossos. 

*Almir Nahas é jornalista, terapeuta sistêmico, consultor e empreendedor.

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Reflexões sobre o Medo e a Confiança https://almirnahas.com.br/medo-confianca/ Fri, 06 Dec 2019 20:18:21 +0000 http://br988.teste.website/~solenc26/olharsistemico/?p=11450 Por Almir Nahas(*) Uma das reflexões que podem acrescentar boa dose de autoconhecimento a partir da visão sistêmica alinhada à filosofia de Bert Hellinger, o pai das Constelações Sistêmicas Familiares, é a identificação de qual o impulso essencial de nossas ações e na nossa busca da felicidade. Somos como um carro flex, que pode utilizar […]

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Por Almir Nahas(*)

Uma das reflexões que podem acrescentar boa dose de autoconhecimento a partir da visão sistêmica alinhada à filosofia de Bert Hellinger, o pai das Constelações Sistêmicas Familiares, é a identificação de qual o impulso essencial de nossas ações e na nossa busca da felicidade. Somos como um carro flex, que pode utilizar dois combustíveis: o medo ou a confiança.

O medo é como um combustível “batizado”, de má qualidade, que faz nosso carro falhar e até parar na beira da estrada. O medo nos faz olhar para trás enquanto tentamos andar para a frente.

Motivados pelo medo, consciente ou inconsciente, a pessoa está lutando na vida para escapar de algo, ela quer fugir, evitar uma situação a todo custo. Com este objetivo explícito ou oculto, o futuro é incerto. Qualquer lugar pode ser melhor do que aquele de que se quer fugir. É a pessoa que se casa para sair da casa dos pais, aceita qualquer proposta de emprego para sair de sua condição atual. Insuportável, investe em projetos com qualquer sócio que apareça, pois o mais importante é se por em movimento para escapar da inércia.

O medo, portanto, não é um bom propulsor. O que ele precisa é ser identificado, estudado, e devidamente superado com recursos próprios ou com ajuda de alguma terapia, aconselhamento espiritual ou metodologia que mobilize recursos internos que tragam clareza, serenidade ou cura. E não há uma receita. Depende da natureza e origem do medo.

A confiança é gasolina aditivada. Nos faz olhar para a frente, facilita manter o foco e a determinação, vê os obstáculos e dificuldades e busca os recursos para vencê-los, sabe andar em sintonia com o tempo, não apressa o resultado, mas mantém viva a certeza de que o destino está lá esperando o viajante.

O planejamento feito com confiança avalia riscos e amplia possibilidades. A confiança não é obstinada, sabe esperar e adequar a rota se for o caso, pois o objetivo é chegar ao destino no tempo certo. A confiança não tem pressa, não tem ansiedade, ela coloca a pessoa totalmente disponível para o Agora e mobiliza todas as forças para se ter o melhor resultado possível a cada passo, a cada dia.

A questão é: caso a pessoa identifique que é movida pelo medo, o que pode fazer? A proposta das constelações é: procure estar em paz com seu passado, diga SIM ao que foi, como foi, e vire a página com delicadeza e decisão. É claro que o medo tem uma origem, e é um tipo de resposta a algo que marcou a história da pessoa ou do clã familiar. O medo precisa, portanto, de atenção, de cuidado e de alguma espécie de cura, para que possa ficar no passado. Portanto, não fuja do medo. Olhe bem para ele, conheça-o e deixe-o, finalmente, passar.

Como fazer isso? Depende de cada caso, de cada contexto, de cada história pessoal. Mas as Constelações propõem um caminho que tem ajudado muita gente.

(*) Almir Nahas é jornalista, empreendedor, professor, palestrante e constelador a serviço de pessoas e empresas.

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O Tempo e o Jeito https://almirnahas.com.br/tempo-jeito/ Thu, 15 Aug 2019 19:58:16 +0000 http://br988.teste.website/~solenc26/olharsistemico/?p=11135 Por Almir Nahas (*) Não existe desafio intransponível. Para o ser humano vencer qualquer dificuldade precisa saber contar com dois amigos. O senhor Tempo e o senhor Jeito. Às vezes é preciso contar com o Tempo para achar o Jeito. Às vezes, o Jeito é ter paciência para esperar o Tempo chegar. O Tempo, porém, […]

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Por Almir Nahas (*)

Não existe desafio intransponível. Para o ser humano vencer qualquer dificuldade precisa saber contar com dois amigos. O senhor Tempo e o senhor Jeito. Às vezes é preciso contar com o Tempo para achar o Jeito. Às vezes, o Jeito é ter paciência para esperar o Tempo chegar. O Tempo, porém, nunca se atrasa. O Tempo na verdade é quem diz a hora certa de se chegar onde se quer. O que acontece com os ansiosos é que eles desconhecem o Jeito e acham que podem apressar o Tempo.

Esses dois amigos andam sempre juntos. E junto com eles andam todas as pessoas bem sucedidas, prósperas e equilibradas. Às vezes o Tempo revela o Jeito, às vezes o Jeito prepara a chegada do Tempo.

O desajeitado e o destemperado não olham de fato para a felicidade. O determinado desajeitado se sobrecarrega, perde o foco e cansa rápido. O determinado destemperado atropela os outros, não conquista aliados, e sozinho ninguém dá um passo. O querer sozinho, portanto, não garante o sucesso de um objetivo.

É preciso saber querer. Com o Jeito, se junta força, conhecimento e recurso suficiente para chegar onde se quer, E para isso se conta com o Tempo, que também atende pelo apelido de Perseverança.

Se é preciso esperar, o que nos submete ao Tempo, é preciso ter bem perto o melhor Jeito de esperar: apenas sentar e zapear numa tela grande ou pequena? Melhor achar o Jeito de manter-se ativo, motivado, indo até o que se quer enquanto o que se quer vem até nós.

Quanto mais amigo do Tempo, menos energia se perde em vão. Quanto mais amigo do Jeito, melhor a visão, o tato, o olfato e a audição e a intuição, facilitando identificar um oportunidade quando ela surge.O Tempo é sábio, o Jeito é esperto. O Tempo é firme, o Jeito é flexível. O Tempo ajeita cuidadosamente o Jeito, o Jeito aproveita respeitosamente o Tempo.

Para quem gosta de andar bem acompanhado, recomendo esses dois amigos. Sempre que me lembro deles e conto com eles em meus projetos, tudo dá mais certo e flui mais fácil. Hoje eu penso que quando eu conseguir ser um amigo inseparável do Tempo e do Jeito, eu terei conquistado também uma grande amiga: a Sabedoria.

(*) Almir Nahas é Jornalista, consultor, instrutor e facilitador sistêmico.

13/08/2019, voando de Campinas a Brasília

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As Duas Leis Essenciais https://almirnahas.com.br/duas-leis-essenciais/ Fri, 21 Jun 2019 14:38:37 +0000 http://br988.teste.website/~solenc26/olharsistemico/?p=11011 Por Almir Nahas (*) Para o mundo funcionar bem, só precisa de duas leis: a lei da gravidade – a número 1 – e a lei do mínimo esforço – a número 2. A primeira se impõe, mas a segunda precisa ser estudada, reconhecida e praticada. Se o ser humano respeita ambas, a vida é […]

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Por Almir Nahas (*)

Para o mundo funcionar bem, só precisa de duas leis: a lei da gravidade – a número 1 – e a lei do mínimo esforço – a número 2. A primeira se impõe, mas a segunda precisa ser estudada, reconhecida e praticada.

Se o ser humano respeita ambas, a vida é mais fluida, mais plena e mais generosa.

A lei da gravidade se impõe. Graças a ela conseguimos ficar em pé, aprendemos a andar, a chuva cai e as árvores crescem. O giro da Terra, o fluxo sanguíneo, a arte do malabarista, a graça do pula-pula, devemos muito à esta força impositiva, poderosa e onipresente. Ela basicamente está associada ao equilíbrio, ao centramento, à sincronização do indivíduo com o ritmo e os ciclos da natureza.

Já a lei do mínimo esforço está longe de ser uma unanimidade, e ela não se impõe, às vezes nem se mostra de maneira óbvia. Ninguém leva um tombo se a contraria. Experimente contrariar sua companheira tão famosa e universalmente estudada. É tombo na certa! A lei do mínimo esforço não, ela não se revela facilmente, requer alguma percepção mais apurada, uma boa dose de livre pensar e experiência de vida.

Chega a ser mal compreendida, associada à preguiça, à omissão, ao descaso, à desonestidade e à vida fácil. É uma injustiçada! Por isso mesmo precisa ser melhor estudada, para que sirva à vida segundo seu verdadeiro e nobre significado, que faz com que seus pesquisadores e praticantes sejam mais efetivos, agudos e precisos em suas ações.

O melhor lugar do mundo para se fazer aquilo que nos cabe fazer é nosso próprio lugar. Quem nos permite reconhecer este lugar e nos manter nele é a lei número 2. Cientes de nosso lugar e de suas possibilidades, fazemos aquilo que nos cabe fazer, nada mais.

Os cansados, reclamões, pidões, exigentes, indignados, excludentes e rancorosos não conhecem a lei número 2. Se esforçam muuuuito, muuuuito mesmo, demais, para ser reconhecidos como bons, como heróis, dão aquilo que acham que alguém precisa sem que o outro peça ou sequer aceite. Depois requerem o reconhecimento pelo que fizeram, mesmo que tenha sido em vão. Os que tem absoluta certeza que sua felicidade também desconhecem essa lei. Se fizessem um mínimo esforço para sair do lugar de vítima, veriam como a vida pode ser mais leve, fácil e plena.

Os bons praticantes de artes marciais, os campeões, estes usam as duas leis com maestria. Os melhores capoeiristas são habilidosos, capazes de manter o equilíbrio mesmo em situações delicadas, e escolhem sempre o mínimo e exato movimento entre a esquiva, a defesa e o ataque.

Os grandes sábios não abrem mão delas. Suas palavras e atitudes podem inspirar grandes multidões, promover grandes mudanças, sem que eles se movimentem além do necessário. Os sábios nem levantam a voz para serem ouvidos, salvo quando estão diante de uma grande audiência e o microfone deu problema. Quem reconhece os movimentos naturais da vida e age para promover as mudanças em sintonia com o tempo e o bom entendimento daquilo que é necessário e inegável (número 1) e daquilo que é possível (número 2).

A número um é Força, a número 2 é Luz. Uma não abre mão da outra. Ambas se completam. Ambas me ensinam a prudência, o respeito, a consciência de minha pequenez diante de tanto que há para se fazer. Ao mesmo tempo, me animam a fazer tudo o que eu puder. A cada dia que eu tenho o direito de me levantar da cama (graças à número 1), eu me disponho a fazer a minha parte (com a clareza da número 2). Mínimo esforço está longe de ser esforço algum. Se a tarefa lhe parece grande demais, se a meta parece inatingível, conte com a número 2. Se não dá pra fazer sozinho, junte gente, pouco a pouco, passo a passo. Afinal, dois mais dois é sempre mais que quatro. Porém, se está pensando em desistir, se abrace com a número 1 e toque seu barco adiante, enquanto tiver o direito a um dia de vida, erga-se alto ao céu e faça sua parte. Mas só a sua parte, para não reclamar no fim do dia!

(*) Facilitador sistêmico, palestrante e consultor

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As Constelações e o Campo Ciente https://almirnahas.com.br/constelacoes-campo-morfico/ Fri, 24 May 2019 22:22:32 +0000 http://br988.teste.website/~solenc26/olharsistemico/?p=10897 Por Almir Nahas (*) Com as Constelações Sistêmicas, Bert Hellinger contribuiu muito para o avanço do pensamento e das terapias sistêmicas. Sua contribuição mais expressiva e surpreendente é sem dúvida a possibilidade de tornar explícitas, de forma rápida e profunda, as dinâmicas ocultas que pertencem ao que chamamos de Campo Ciente, Campo de Memória ou […]

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Por Almir Nahas (*)

Com as Constelações Sistêmicas, Bert Hellinger contribuiu muito para o avanço do pensamento e das terapias sistêmicas. Sua contribuição mais expressiva e surpreendente é sem dúvida a possibilidade de tornar explícitas, de forma rápida e profunda, as dinâmicas ocultas que pertencem ao que chamamos de Campo Ciente, Campo de Memória ou Campo Mórfico. Em seu aspecto técnico, as Constelações revelam, de maneira aparentemente “mágica”, o que está na raiz da raiz das questões que fazem os clientes buscarem ajuda de um terapeuta sistêmico.

Quando iniciamos uma constelação, colocando algumas pessoas para “representar” os membros de uma família, por exemplo, sem dar aos representantes nenhuma instrução prévia. Depois de alguns minutos, os representantes começam a dar sinais – sensações físicas, emoções, impulsos de movimentos, vontade de expressar com palavras o que sentem – são informações que começam a se revelar, e que, como dizemos, são notícias que pertencem a esse Campo Ciente, um ambiente imaterial que abarca todo o sistema, e que registra todos os acontecimentos marcantes, os fatos lembrados ou esquecidos que pertencem à memória ancestral da família (o sistema familiar).

É deste campo ciente que vem também os indícios para os passos que damos numa constelação. Incluir alguém que foi excluído, expressar frases que conduzem para a pacificação de uma situação tensa, triste ou pesada, a reconciliação com o passado e a libertação daquilo que prende, restringe ou oprime um ou mais representantes.

Nas Constelações, portanto, quando o ajudante tem uma formação séria e consistente, a solução não vem da cabeça dele, de modelos preestabelecidos, vem do Campo e se torna visível explícita, para o cliente da constelação, que é o dono da questão, e para todo o sistema, incluindo os participantes do grupo que sequer participaram diretamente da Constelação.

Assim como o Campo Gravitacional sempre existiu e está sempre atuando, independentemente de ser compreendido e estudado em suas funções e modo de ser reconhecido, o Campo Mórfico também sempre existiu, antes das pesquisas no campo da Física ou da Biologia, muito antes dos terapeutas sistêmicos começarem a explorar possibilidades de entrar em contato com a memória, as informações que estão registradas nesse campo, e que influenciam a todos que a ele pertencem.

Não pretendo, neste breve texto, esgotar o assunto. Apenas me arrisquei aqui a explicar algo que é essencial para quem se identifica com a ciência inaugurada por Bert Hellinger, e que tem permitido, com uma profundidade e precisão impressionantes, trazer possibilidades de solução para traumas, dores emocionais e conflitos de todos os tipos. Ao explicar, sei que não reduzi a subjetividade do tema. É apenas uma primeira abordagem, para aqueles que precisam entender um pouco mais das Constelações antes de confiar nelas. 

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O Tempo e as Constelações https://almirnahas.com.br/tempo-constelacoes/ Tue, 07 May 2019 14:46:40 +0000 http://br988.teste.website/~solenc26/olharsistemico/?p=10873 Por Almir Nahas(*) Uma pergunta sempre feita: quanto tempo até que uma constelação comece a fazer efeito? Antes da resposta, é necessário esclarecer que não é apenas uma dimensão do tempo que se revela nas constelações. Há o necessário e tão presente tempo cronológico, linear, e a pergunta geralmente se refere a esta dimensão. Mas […]

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Por Almir Nahas(*)

Uma pergunta sempre feita: quanto tempo até que uma constelação comece a fazer efeito?

Antes da resposta, é necessário esclarecer que não é apenas uma dimensão do tempo que se revela nas constelações. Há o necessário e tão presente tempo cronológico, linear, e a pergunta geralmente se refere a esta dimensão. Mas há também do tempo interno, o tempo da alma, um tempo vertical no qual tudo está presente. Em sua grandeza e magnitude, o tempo é um mistério que a nossa vã filosofia, na busca de compreender, apenas se aproxima e arrisca ter ideias. Fiquemos por aqui.

Em relação ao tempo linear, o do relógio e do calendário, as Constelações começam a atuar desde o momento que a pessoa decide fazer uma Constelação. Assim como se marca a data de um concurso, uma defesa de tese, uma reunião importante, ao ser marcado, o evento já começa a acontecer. Olhando atentamente, com o Olhar Sistêmico, eventos importantes que reúnem mais de uma pessoa – e isso é o que quase sempre acontece – já começam muito antes de começar. Basta lembrar do primeiro encontro com aquela que você sonhou ser a pessoa que te acompanharia por toda a vida. É fácil perceber que, quando ele aconteceu, já estava acontecendo, certo? Com as Constelações é assim.

Há muitos relatos de que a pessoa, às vezes semanas antes, começa a ter sonhos, sensações, pensamentos sobre a situação que vai constelar, a partir do momento que comprometeu-se a trabalhar a questão. Também acontece de pessoas envolvidas na questão, mesmo sem saber de nada, tem atitudes que parece que também já estão em movimento, inconscientemente. O trabalho já começou.

Às vezes a entrevista que antecede a Constelação já faz um efeito profundo, já muda a visão do cliente, às vezes até parece que a entrevista bastaria, o cliente já teria um bom encaminhamento para sua questão. Na linha do tempo, porém, os efeitos de uma Constelação seguem se fazendo perceber. Um cliente pode sair intrigado, confuso e até desconfortável de uma Constelação, ou emocionado, extasiado, com o coração apaziguado imediatamente após a Constelação. As sensações e sentimentos poderão se alterar bastante nos dias e semanas seguintes. Para melhor ou para pior, os caminhos de uma cura emocional não são previsíveis e nem sempre os controlamos. É preciso viver esses primeiros dias e observar, na prática, as mudanças acontecerem. E após algum tempo, pode vir uma estabilidade, num outro patamar da situação constelada. Às vezes a situação se resolve, como se fosse mágica, sem que nenhuma atitude premeditada fosse tomada. Apenas por se permitir seguir o novo fluxo.

Há casos, porém, em que os efeitos de uma Constelação são percebidos por meses ou anos. Já ouvi relatos de alguns clientes, de uma única Constelação produzir efeitos transformadores contínuos por 5 e até 8 anos.

Quanto ao tempo da alma, este pode permitir que uma Constelação atue até mesmo no passado. Memórias ancestrais, registros guardados no inconsciente ou em alguma dobra do Tempo também são tocados e aquilo que estava em desordem pode entrar em Ordem, um novo/antigo fluxo vital pode ser restabelecido, e a infância triste pode ficar feliz, os mortos na guerra podem descansar em paz, os filhos pródigos podem ser novamente acolhidos e se reconciliar. Como constatou Bert Hellinger, brilhantemente, quando o passado é honrado na justa medida, serve ao presente e ao futuro de bom grado. No tempo da alma, passado, presente e futuro podem se dar as mãos e seguir juntos.

O que não é possível é prever o que e como os efeitos de uma constelação irão se manifestar, na vida prática. Se vai produzir grandes ou pequenas mudanças. Se todos no sistema irão sentir seus efeitos, como se fosse mágica. Sobre o sistema de um cliente e os caminhos que o Amor escolhe para fluir ao longo dessa história, nada sabemos. Quem sabe do Amor é Ele mesmo. Nós apenas o contemplamos e desfrutamos dele, o quanto nos seja possível.   

(*) Jornalista, consultor, palestrante e constelador

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A saudável desigualdade entre pais e filhos https://almirnahas.com.br/saudavel-desigualdade-entre-pais-filhos/ Tue, 26 Feb 2019 19:24:58 +0000 http://br988.teste.website/~solenc26/olharsistemico/?p=10490 Por Almir Nahas(*) Sem qualquer compromisso com crenças religiosas ou códigos morais, as Constelações Familiares nasceram da observação. A partir dos estudos de inúmeros casos, Bert Hellinger identificou o que chamou de Ordens do Amor. São forças que atuam nos sistemas familiares e que, quando respeitadas, permitem que a vida flua com êxito, abundância e […]

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Por Almir Nahas(*)

Sem qualquer compromisso com crenças religiosas ou códigos morais, as Constelações Familiares nasceram da observação. A partir dos estudos de inúmeros casos, Bert Hellinger identificou o que chamou de Ordens do Amor. São forças que atuam nos sistemas familiares e que, quando respeitadas, permitem que a vida flua com êxito, abundância e leveza.

Uma observação essencial é bem simples: a vida, como um rio, corre para a frente e flui do mais alto para o mais baixo, do maior para o menor. As sucessivas gerações passam a vida adiante para os menores, que por sua vez serão maiores diante da próxima geração.

Essa ordem simples e essencial define com clareza que, independente da idade dos pais e dos filhos, os mais velhos sempre serão os maiores. Pois a vida veio através deles, e nada que os filhos façam pelos pais poderá torná-los maiores ou sequer iguais perante eles.

Ao reconhecer e humildemente se submeter a esta ordem natural, um filho pode abrir mão de tentar aliviar as dores de sua mãe, de carregar algum peso por ela, ou de tentar salvá-la de seu destino. Um filho faz isso por amor, por saber em seu íntimo de sua enorme dívida em relação à sua mãe. Mas essa postura apenas sobrecarrega o filho e é inútil: somente a própria mãe pode arcar com seu destino, suportar suas dores e carregar o peso que lhe cabe.

O que nos revelam as Constelações é que o reconhecimento pelas dificuldades dos pais é legítimo, e reforça a nossa gratidão. Nos faz ver que o que eles fizeram por nós foi o máximo que poderiam ter feito.

A melhor maneira de retribuir seu grande esforço para levar a vida adiante é reconhecer genuinamente seu esforço e servir a vida da melhor maneira possível, como uma retribuição ao muito que recebemos da vida.

Mesmo pais idosos de filhos adultos são maiores, e mesmo que precisem de apoio e cuidados, se um filho puder cuidar e fizer isso mantendo-se no lugar de filho, fará sua tarefa com mais leveza e preservará a dignidade dos pais.

Receber TUDO o que os pais nos deram é a melhor forma de honrar seu trabalho e sua existência. E passar adiante é o que nos faz sentir quites com o esforço deles, porque assim como eles, damos o nosso melhor para que nossos filhos, nossos projetos e nossa presença seja totalmente dedicada a melhorar a vida que recebemos e a vida daqueles que vem depois de nós, rio abaixo.

(*) Almir Nahas é consultor, palestrante, terapeuta e instrutor de Constelações

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